terça-feira, 15 de novembro de 2011

TAPIOCA COM QUEIJO E MELADO

A receita é simples:
1. Adicionar uma pitadinha de sal á goma (ou polvilho);
2. Molhar a goma e esfarelar as bolinhas com as mãos;
3. Peneirar a massa (opcional);
4. Colocar numa frigideira e espalhar ate cobrir totalmente o fundo, amasse com uma colher para ficar lisinha e espere despregar, é so virar deixar assar o outro lado.
5. Melado: raspe a rapadura e dilua em água fervente;
6. Rale o queijo e complete o recheio da tapioca.

Dicas:


  • Quando estiver assando saplicar água para umedecer a massa;

  • Ao terminar uma e assar outra, nao precisa lavar a frigideira basta passar um pano limpo e seco para retirar os farelos da anterior;

  • Coloque o recheio na tapioca ainda quente

  • Faça um melado de rapadura e coloque na tapioca em seguida o queijo - fica delicioso e a criançada adora!

Alimentaçao saudavel, vida saudavel!

É consenso entre os profissionais da saude: alimentação saudável, vida saudável.
Isso é dito a todo o instante por varios canais, contudo algo está errado visto que a maioria das pessoas ainda não participou do processo de reeducação alimentar.
Primeiro porque a fórmula da alimentação saudável veiculada na mídia e pelos profissionais é essencialmente cara e de difícil acesso á populaçao. Segundo porque dizem "comam espinafre", mas não dizem formas atrativas de preparo do espinafre.
Minha intençao é intervir nesse sentido, postarei algumas dicas de preparo de alimentos populares, saudaveis, de baixo custo e muito saborosos.
Aproveitem!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

REISADO MIRIM DO MENINO DEUS

O Reisado constitui um folguedo natalino com caráter profano-religioso filho dos Congos, de quem herdou a estrutura de corte e batalhas reais e somou seus diversos entremeios. Chegou ao Ceará, provavelmente no final do século 19 e se adaptou de tal forma que hoje temos uma linguagem própria, principalmente na região do Cariri.

Seu espetáculo compõe-se de Marcha de Cortejo, Abertura de Porta, entrada, Louvação do Divino, Execução de Peças e Entremeios, Brincadeiras de Mateus e Catirina, Despedida e Batalhas de Espada.

Os entremeios são personagens do cenário popular como o Jaraguá, Guriabá, Boi, Burrinha, Veadinho, Mamãe Velha, o Tio Anastácio, a Alma e o Cão, que entram em cena quando são convidados e animam e encantam ainda mais a brincadeira.

O Reisado Mirim do Menino Deus é parte da União dos Artistas da Terra da Mãe de Deus que inaugura uma linguagem no que se refere aos trajes, aos capacetes, á forma de confecção de bonecos para entremeios e um repertorio com composições próprias. Tem seu brilho no olhar e na vontade de cada criança que é responsável por manter acesa a chama da cultura popular.

É formado por crianças e adolescentes do bairro João Cabral no município de Juazeiro do Norte que participam das atividades na sede da União e tiveram contato com os Mestres de Reisado e Guerreiro bem como com outros grupos da sede e da região. As crianças são envolvidas nas ações do Vida Viva que compartilha da possibilidade de fartura de pão e agasalho para todos a partir do que nos podemos fazer por nós mesmos, que motiva ações como oficinas de alimentos regionais na sede e em locais públicos como praças e Horto (local turístico religioso onde fica a estatua do Padre Cícero), distribuição de mudas de plantas floríferas, frutíferas e arboríferas, e apresentação de espetáculos para a comunidade em geral.

A Pedra da Batateira pede socorro!

Rema, rema, reô

Rema, rema rea
Da pedra a água brotou
E o sertão virou mar

Rema rema reô

Rema rema rea
Me acuda bom senhor
Que o mar vai me carregar

Trecho da música Pedra da batateira – Sol na Macambira


Conta a lenda que os Índios Cariris aprisionaram a Mãe d’água na forma de uma serpente embaixo da chapada do Araripe a fim de evitar sua destruiçao pelo homem branco e “civilizado” que chegara ao Vale do Encanto. E que haverá o dia em que a Mãe d’água se libertará e inundará toda a regiao do Cariri fazendo com que o “sertão vire mar’.


Hoje ao visitar a Pedra da Batateira ou nascente do rio Batateiras em Crato-CE, dá para ter uma idéia do medo que permeava o coraçao dos Cariris ao realizar tal ato. Atualmente a nascente do rio encontra-se tristemente encanada e privatizada por uma sociedade anonima.






Como se nao bastasse privatizar um bem universal com direito a guarda na porta, ainda cometem um grave crime ambiental ao cobrir com telas os corregos da nascente, isso impossibilita portanto que a natureza siga seu curso no sentido de plantas se perpetuarem, bichos matarem sua sede ou se reproduzirem – como é o caso do soldadinho do araripe que esta quase em extinsao.



Alem disso a situaçao de risco nao se restringe a nascente, acompanha o rio em todo seu percurso. Seja no represamento de suas aguas em grandes mansoes ou pequenas propriedades ou na cruel poluiçao. As aguas do rio recebem desde esgotos particulares a lixo como garafas de plastico e vidro, latinhas, papeis, embalagens de comidas, preservativos, pontas de cigarro, roupas, sandalias entre outros itens de dificil degradaçao ambiental. Até mesmo a “empresa” que colocou os canos na nascente deixou lixo no local como bisnagas de cola para canos, vassouras e sacolas. Para confirmar essa lamentavel situaçao basta fazer uma visita á nascente o rio, tambem conhecida como tanque dos malucos, e á famosa cascata do Crato.

É tao terrivel que as pessoas que conheceram o local ha uns 30 anos atras se recusam a ver as fotos de como se encontra atualmente, nao por covardia mas porque imaginam como se encontram e partilham do terrivel sentimento de impotencia frente as empresas e os coroneis da água. E nao basta limpar esses locais quando visito, penso que se existe ainda alguma esperança em salvar essa fonte de aguas criatalinas que encontra-se fechada, acorrentada, encanada e privatizada com um guarda na entrada, devemos tomar uma atitude que va alem de reclamar, mesmo que isso represente um grande risco a nossa integridade.

Já que nao podemos fazer como os indios gostaria pelo menos que as entidades governamentais ou nao responsaveis pela saude e vida dessas aguas tomassem atitudes de proteçao real.

o que seria viver dignamente?


Eis uma pergunta que com certeza traz muitas respostas. E para algumas pessoas seria ter um carro do ano, colocar os filhos nos colégios mais caros, ter um bom plano de saúde e tomar sua cerveja com churrasco no domingo.
Fico verdadeiramente com pena de quem chama qualquer mobilização e tem esse tipo de ponto de vista por traz das reivindicações, pois isso mostra o quanto a “luta” é vazia. Visto que se alguém reivindica aumento de salário para dar boa educação aos filhos colocando-os numa escola cara, isso significa que alem de alienado, em achar que ser adestrado para fazer um vestibular é sinônimo de boa educação, trata-se também de um acomodado, pois é muito dura a luta de ser cidadão comum e exigir um ensino publico de qualidade, que já nos custa bem caro em todos os impostos que pagamos.
Da mesma forma em relação a saúde, o meio mais pratico de ter uma boa assistência á saúde é desembolsar alguns caros reais mensalmente para alimentar a industria dos planos de saúde. Infelizmente essa é uma realidade brasileira que é somada como um dos fatores responsáveis pelo desmoronamento do que deveria ser o Sistema Único de Saúde. Até mesmo os profissionais do SUS se vendem aos planos de saúde, que ironia não é mesmo?
Pergunto novamente, será que ter uma vida digna é ter subsídios o suficiente para se isolar das mazelas sociais a que o povo esta mergulhado? É se tornar cada vez alienado e acomodado em pagar para ter em vez de lutar para conquistar? É achar que porque se carrega um ou vários diplomas é um ser superior que não “merece” trabalhar como tantos outros brasileiros?
E o que diríamos dos pedreiros, lavadeiras, arrumadeiras, professores, garis, cozinheiros, brincantes populares, agricultores e muitos outros trabalhadores do povo, não tem uma vida digna ou não merecem altos salários por não estarem “salvando vidas”?
Entendam minha pretensão não consiste em enfraquecer qualquer reivindicação salarial, é tentar levar uma reflexão do que se quer com isso e os resultados sociais que essa reivindicação salarial podem trazer. É tentar mostrar que o argumento de “ter dois ou três vínculos empregatícios para viver dignamente” é um argumento fraco aos olhos das pessoas criticas, alem de ser uma ilusão capital que só aumenta o abismo entre os vários setores do povo. Se isolar dos problemas e das lutas do povo, não é bem uma atitude digna é uma atitude fácil, pois ao se isolar desses problemas (que é a grande filosofia do capitalismo) é concordar com o massacre social a que as classes do povo estão expostas.

É por isso que falo que essa ideologia por traz das reivindicaçoes torna a luta vazia, pois trata-se de uma luta egoista. E por isso nao acarretará grandes resultados, alem das contas bancarias da categoria.
Por fim pergunto o que faz mais sentido trabalhar bem para ser bem pago ou ser bem pago para trabalhar bem? Eis uma incógnita que aqui no nosso cariri tem se mostrado bem difícil de se resolver em varias categorias profissionais, porque nem sendo bem pago a maioria dos profissionais trabalha bem.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

GENTILEZA


José Datrino, Jozzé Agradecido ou Profeta Gentileza, homem que despertou para a vida, acordando dessa imensa inercia que vivemos mergulhados e fez de seus sonhos uma realidade, "troxe flores e vinho" (Carlos Gomides) com fé e amor no coraçao e espalhou sua mensagem de consolo AMORRR e GENTILEZA.

Jéssika Bezerra

Cannabis: eis a questão!


Cannabis sativa popularmente conhecida como maconha, ganja, marijuana, entre outros, consiste na erva de propriedades psicoativas mais consumida no mundo. Originária da Ásia Central, com primeiro registro do seu uso á 4.700 anos, sendo vinculado por muito tempo a crenças religiosas, ações terapêuticas, boêmias e recreativas, principalmente pela sociedade moderna ocidental, além da utilização de sua fibra para a indústria têxtil, inclusive muito valorizada entre os romanos pela eficiência na produção de tecidos.
Chegou ao Brasil nas primeiras caravelas portuguesas presente nas velas e cordas das embarcações. Contudo, segundo o documento oficial de 1959 a planta teria sido introduzida no Brasil a partir de 1549 pelos negros que traziam as sementes em bonecas de pano. No século XVIII o cultivo passou a ser incentivado pela coroa portuguesa que, chegava a enviar sacas de sementes para o Brasil.
Na segunda metade do século XIX seus efeitos hedonísticos começaram a ser explorados e o uso medicinal incentivado até a década de 1930 quando passou a ser recriminada. E o início dessa fase repressiva no Brasil atingiu vários estados (MAMEDE, 1945) principalmente o Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão, Alagoas e Bahia. Tendo a “proibição total do plantio, cultura, colheita e exploração por particulares da maconha em todo território nacional em 25/11/1938 pelo Decreto-Lei 891 do Governo Federal (Fonseca, 1980)”.
Esse fato se deu primariamente por motivos econômicos, sociais e políticos, e não necessariamente por fundamentação científica, influenciados pela dominação capitalista norte-americana que se fortaleceu e determinou a criminalização praticamente mundial.
Nos EUA na década de 20 era liberada e o uso mais freqüente era entre os imigrantes principalmente os mexicanos que constituíam as classes marginalizadas da época. Com o repudio ao álcool que culminou com a Lei Seca houve um considerável aumento no seu consumo graças á dificuldade na obtenção do álcool. Somando-se a isso, a quebra da bolsa e a conseqüente crise de 29 criaram o cenário perfeito para a proliferação de informações ligadas á maleficência da erva e sua vinculação aos imigrantes, que constituíam os “marginais” e “praga” da época. Então notícias como indução á promiscuidade sexual e a violência, que segundo a “boa moral americana” são características tipicamente latinas, além de informações aleatórias (sem estudos científicos por trás) como a cannabis ser uma “porta de entrada para outras drogas”. Vale lembrar que um grande responsável pela proliferação da informação que a cannabis levaria à violência foi Harry Anslinger, chefe do Bureau of Narcotics dos EUA que colaborou diretamente na divulgação de relatos jornalísticos falsos sobre crimes hediondos que teriam sido praticados por indivíduos "enlouquecidos" pela maconha (Sloman,1983; Becker, 1976 a).

Esses mitos antimaconha constituíram uma política proibicionista eficaz, que contou bastante com a participação da mídia, que reprimia a cannabis com informações sobre a violência relacionada ao tráfico e consumo e sobre “os perigos das drogas”, por outro lado incentivando o consumo e venda de bebidas alcoólicas e cigarro com propagandas sofisticadas. Porém sabe-se que não existem motivos científicos para o incentivo á cultura do álcool enquanto se proíbe veemente a maconha, pois o álcool etílico um depressor do sistema nervoso central é responsável por 90% dos internamentos por problemas e dependência de drogas, alem de causar lesões cerebrais irreversíveis, psicose, demência, hipertensão arterial, arteriosclerose, miocardiopatia, cirrose, pancreatite, gastrite, entre outras patologias e complicações metabólicas sérias. Com isso fica claro que a participação da mídia teve uma conotação social mais forte que as intervenções da comunidade científica, o que era raro.
Estas representações nortearam, ou influenciaram, o modo como as novas gerações seriam prevenidas, instruídas, ou, surpreendidas por seus familiares como consumidores de maconha (Cavalcanti 1998:119 e 132)
No âmbito econômico, houve uma forte campanha pela elite industrial americana em prol da substituição da fibra do cânhamo pela fibra sintética de náilon, que na época a industria têxtil encontrava-se em expansão, porem o cânhamo ainda constituía um poderoso concorrente.
Então, o tema cannabis foi “banido” da sociedade até que reconquistou visibilidade com o movimento hippie na década de 60, influenciando o interesse da comunidade científica, quando em 1964 Raphael Mechoulan, pesquisador israelense, isolou o seu princípio ativo o delta-9-tetraidrocanabinol conhecido como THC um dos responsáveis pela indução dos seus efeitos no organismo. Com isso, explorou-se profundamente desde as alterações fisiológicas provocadas às propriedades terapêuticas, e a indústria farmacológica passou a produzir fármacos cujo principio ativo era o THC, entre eles o Marinol e o Nabilone, extensamente utilizados ao longo do tempo. Alem disso segundo Macrae e Simões (2000)

A força reivindicatória que exerceria a "revolução cultural" dos anos 60 sobre o simbolismo do uso da maconha, em quase todo o Ocidente, marcou a inclusão do `jovem" num mundo até então concebido quase exclusivamente como habitado pelos bandidos denunciados pela imprensa. A partir dessa década, o costume de fumar maconha deixou de ser apanágio das camadas pobres e marginalizadas e ganhou amplitude entre segmentos da classe média urbana.

Paralelamente, durante a ditadura militar no Brasil passou a editar varias leis antitóxicas, inclusive a campanha antimaconha conseguiu criminalizar a droga no Brasil. No fim da década de 70, em função do movimento norte-americano de "guerra às drogas" e da carência de estudos epidemiológicos brasileiros, a imprensa nacional começou a divulgar uma série de especulações sobre uma suposta "explosão" do uso de "drogas ilícitas", como maconha, cocaína, ácido lisérgico (LSD) e heroína, sobretudo entre estudantes brasileiros (Carlini-Cotrim et al., 1995).Sendo responsável também pela aquisição do estereotipo de criminoso do usuário e do preconceito ao qual o mesmo é submetido, e transformação do consumo da cannabis num assunto que envolve inúmeros tabus e mitos e que a sociedade brasileira evita as discussões e o debate público.
Contudo o fato de não ser amplamente discutido não exclui ou minimiza o uso por parte considerável da população, segundo o Relatório Mundial Sobre Drogas da ONU de 2007 a maconha é utilizada por 3,8% da população mundial, no Brasil de acordo com levantamento realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – CEBRID da Universidade Federal de São Paulo (2002), 6,9% da população brasileira já utilizou a maconha pelo menos uma vez na vida, dos usuários segundo dados oficiais da Secretaria Nacional Antidorgas (SENAD) de 2005, 41% dos usuários está na faixa etária de 12 a17 anos e 17% dos usuários esta na faixa dos 18 aos 24 anos.
É sob essa perspectiva que a questao cannabis deve ser pensada e discutida, e nao sob o fraco discurso do "legalizar ou nao". Mas infelizmente boa parte de orgaos que deseja "banir" o uso - se é que é possivel - ainda faz campanhas mesquinhas e pobres de conteudo e reflexoes direcionadas a milhoes de usuarios. Entao sugiro que essas pessoas e orgaos se deem ao trabalho de estudar mais um pouco, e aos usuarios que tentem compreender a essencia de seus habitos nao resumindo-os apenas a uma rotina de escapamento da realidade.

Jéssika Bezerra