quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Pedra da Batateira pede socorro!

Rema, rema, reô

Rema, rema rea
Da pedra a água brotou
E o sertão virou mar

Rema rema reô

Rema rema rea
Me acuda bom senhor
Que o mar vai me carregar

Trecho da música Pedra da batateira – Sol na Macambira


Conta a lenda que os Índios Cariris aprisionaram a Mãe d’água na forma de uma serpente embaixo da chapada do Araripe a fim de evitar sua destruiçao pelo homem branco e “civilizado” que chegara ao Vale do Encanto. E que haverá o dia em que a Mãe d’água se libertará e inundará toda a regiao do Cariri fazendo com que o “sertão vire mar’.


Hoje ao visitar a Pedra da Batateira ou nascente do rio Batateiras em Crato-CE, dá para ter uma idéia do medo que permeava o coraçao dos Cariris ao realizar tal ato. Atualmente a nascente do rio encontra-se tristemente encanada e privatizada por uma sociedade anonima.






Como se nao bastasse privatizar um bem universal com direito a guarda na porta, ainda cometem um grave crime ambiental ao cobrir com telas os corregos da nascente, isso impossibilita portanto que a natureza siga seu curso no sentido de plantas se perpetuarem, bichos matarem sua sede ou se reproduzirem – como é o caso do soldadinho do araripe que esta quase em extinsao.



Alem disso a situaçao de risco nao se restringe a nascente, acompanha o rio em todo seu percurso. Seja no represamento de suas aguas em grandes mansoes ou pequenas propriedades ou na cruel poluiçao. As aguas do rio recebem desde esgotos particulares a lixo como garafas de plastico e vidro, latinhas, papeis, embalagens de comidas, preservativos, pontas de cigarro, roupas, sandalias entre outros itens de dificil degradaçao ambiental. Até mesmo a “empresa” que colocou os canos na nascente deixou lixo no local como bisnagas de cola para canos, vassouras e sacolas. Para confirmar essa lamentavel situaçao basta fazer uma visita á nascente o rio, tambem conhecida como tanque dos malucos, e á famosa cascata do Crato.

É tao terrivel que as pessoas que conheceram o local ha uns 30 anos atras se recusam a ver as fotos de como se encontra atualmente, nao por covardia mas porque imaginam como se encontram e partilham do terrivel sentimento de impotencia frente as empresas e os coroneis da água. E nao basta limpar esses locais quando visito, penso que se existe ainda alguma esperança em salvar essa fonte de aguas criatalinas que encontra-se fechada, acorrentada, encanada e privatizada com um guarda na entrada, devemos tomar uma atitude que va alem de reclamar, mesmo que isso represente um grande risco a nossa integridade.

Já que nao podemos fazer como os indios gostaria pelo menos que as entidades governamentais ou nao responsaveis pela saude e vida dessas aguas tomassem atitudes de proteçao real.

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